Artigos desta Edição

Luciana Henrique Rangel Viana
Pós graduada em psicologia clínica pela ISECENSA
E-mail: lucianahenriqueonline@yahoo.com.br
PERIGO REAL NO MUNDO VIRTUAL

A internet veio para encurtar as distâncias, democratizar o acesso à informação e uma penca de coisas boas, que estão sendo colocadas nos dias atuais. Mas, para algumas pessoas, a rede assumiu um papel polêmico. Passou a ser o princípio e o fim do dia a dia de gente que não consegue imaginar a vida longe de um monitor e de um modem, como diz a internauta Paola: "jamais conseguiria viver sem a internet nos últimos tempos. Aqui é onde encontro soluções para todos os meus problemas e também é onde tenho a maior parte dos meus amigos. Sinceramente eu, sem a internet, não seria mais nada, perderia por completo a minha personalidade".

Assim, como algumas pessoas são viciadas em drogas, outras, são em passar horas na internet, fenômeno que um crescente grupo de especialistas dos Estados Unidos considera um problema psiquiátrico.

Também chamado de "compulsão à internet", esse vício é detectado no caso de comportamentos relacionados que interfiram na vida normal de uma pessoa, causando estresse agudo em sua família, em suas relações de amizade e no trabalho. Em outras palavras, se as relações de trabalho, familiares ou sociais começam a se deteriorar por causa da internet, a pessoa pode ser considerada um ciberviciado e, portanto, precisa de ajuda.

Os principais itens atribuídos como prejudiciais no uso compulsivo da internet podem ser agrupados da seguinte maneira: mudanças drásticas nos hábitos de vida a fim de ter mais tempo para conectar-se; diminuição generalizada da atividade física; descaso com a saúde própria em consequência da atividade na internet; afastamento de atividades importantes a fim de dispor de mais tempo para permanecer conectado; privação ou importantes mudanças do sono a fim de dispor de mais tempo para permanecer conectado. A maioria usa os programas de bate-papo para representar papéis de personalidades que gostariam de ter. Eles encontram um meio de esquecer problemas pessoais e fugir da vida real. O real é aquilo com o qual o sujeito não consegue lidar, a impossibilidade de ultrapassar, as limitações. Mas que desprazer e angústia são esses que causam ao homem dificuldades em lidar com os embaraços do real?

 Poderiam ser fatores de risco para o uso problemático alguns transtornos psicológicos como, por exemplo: a timidez, as dificuldades no estabelecimento de relações interpessoais, as inabilidades sociais, a solidão, a baixa autoestima, e assim por diante. Alguns autores acham que a internet permite às pessoas exercitarem traços ocultos ou reprimidos de suas personalidades.

Ressaltamos que o uso habitual, contínuo e mesmo persistente não é, invariavelmente, danoso; ele pode ser desde saudável até patológico. As pessoas fascinadas por esse hobby, desde que não comprometa o uso de seu tempo ou suas atividades sócio-familiares, têm a possibilidade usufruir beneficamente das informações infinitas da internet; podem aprender fomentar sua criatividade, comunicar-se com outros, etc; resumindo, muito mais importante que o número de horas na Internet, importa saber por que a pessoa fica tantas horas on-line, em busca do quê e com que propósito?

 Podemos comparar o vício tecnológico com a dependência de qualquer outra droga. Existem pessoas que precisam passar por uma psicoterapia para aprender a controlar a compulsão.

Nós, psicólogos, devemos ir à luta com o cliente, proporcionando-o a possibilidade de redimensionamento de projetos; levando a um processo de autoconhecimento do ser; buscando a essência de sua existência; enfrentando as angústias de frente, e descobrindo suas potencialidades que estavam escondidas, podendo assim, emergir como alternativas para um vir-a-ser.

Os pais devem compreender que o uso das novas tecnologias precisa ser tratado como um acréscimo à educação dos jovens. Explicar ao filho o quê ele pode e o quê não pode fazer, pode ajudar a resolver a questão.  Os pais ensinam sobre a importância de se tomar banho diário, de escovar os dentes ou orientam seus filhos para não falar com estranhos no caminho da escola, etc; essa mesma educação deve ser repassada aos filhos sobre os perigos e os benefícios na utilização da internet.

Não existem fórmulas mágicas, mas alguns conselhos gerais podem ajudar aos pais: procure sempre conversar com seus filhos, orientando-os sempre sobre os perigos da internet; além do diálogo, é necessário estabelecer limites para a utilização do computador; dedique tempo para estar junto com seu filho no mundo virtual; converse com ele sobre o que vocês aprenderam juntos; ajude-o a ter um hobby que não esteja limitado apenas ao computador; estimule a amizade pessoal, não os encontros e bate-papos virtuais; ajude-o a ganhar gosto pela leitura e pelo conhecimento, não somente pelo conhecimento superficial. Os pais devem estabelecer um vínculo de confiança, orientação e proteção ao jovem.

Lembramos que o equilíbrio da vida real deve permanecer na sua vida virtual.