Dra. Elizabeth da Matta

Cardiologista

CRM 52 60207-7

 

            Formada pela Faculdade de Medicina de Campos, em 94, a cardiologista Elizabeth da Matta é uma profissional que desde criança, tinha um sonho a alcançar: tornar-se médica. Para isso, entrou na faculdade aos 18 anos e dedicou-se, com convicção e afinco, a concretizar sua meta, não apenas de formar-se, mas de trabalhar na área escolhida em virtude, como diz, “de um amor à primeira vista” descoberto ao estudar a disciplina fisiologia cardíaca. Hoje, ela pode orgulhar-se de prestar atendimento clínico em vários locais, como: o Hospital Dr. Beda, na Clínica Pró Vida, na Emergência do HGG e ainda na Central de Regulação do Estado. Além de muito trabalho e uma vida muito corrida, a dra. Elizabeth também está muito feliz com a vida particular, tendo motivos para comemorar o presente e já pensando no futuro, após ficar noiva no Dia dos Namorados, de Carlos Luciano Monteiro Ribeiro.

 
SP - Onde a senhora fez sua especialização?

EM - No Rio de Janeiro onde fiz minha residência em cardiologia durante três anos. Durante a semana, ficava lá trabalhando e aprendendo, naquela grande escola prática do Instituto de Pós Graduação, e nos finais de semana, voltava para trabalhar no Hospital Dr. Beda e no Hospital Álvaro Alvim.

 
SP - Então havia acabado de sair da faculdade, ainda era residente e já tinha dois empregos?

EM - Exatamente. Tive convites dos professores da FMC assim que me formei para trabalhar onde eles atuavam e aceitei de imediato.

 
SP - Ao ir para o Rio, uma cidade tão grande e cheia de atrativos, não pensou em permanecer por lá?

EM - Não. Lá dividi apartamento com mais três amigas naquele sistema de república feminina, foi um bom momento da minha vida, porém, nunca pensei em ficar por lá, até porque sou muito ligada à minha família que vive aqui e à minha cidade.

 
SP - Como entrou na Prefeitura e no Estado?

EM - Através de concursos públicos. Sempre me inscrevi para concursos e passei em todos. Na verdade, além destes, também passei para vários outros concursos, só que fui deixando, até porque, não tinha tempo para trabalhar em mais nenhum lugar, além dos quatro em que estou atualmente.

 
SP - E como é seu trabalho na Clínica Pró Vida e no Beda?

EM - Tanto na clínica quanto no Beda realizo atendimento clínico, isto é, dou consultas na área de cardiologia.

 
SP - E na Central de Regulação? Como esse setor do governo estadual funciona em Campos?

EM - Há toda uma prestação de serviço diferenciado do meu dia a dia nos hospitais e na clínica. Lá, meu trabalho é pegar o laudo do paciente já visto pelo seu médico, entrar em contato com ele e acertar todos os detalhes para a internação e cirurgia. É um trabalho mais burocrático, mas também clínico, devido a todo o acompanhamento do início até o fim dos procedimentos. Relaciono-me diretamente com os colegas médicos na busca da melhor solução para o paciente. Procuro vagas nos hospitais para todos os atendimentos cardiológicos mais graves.

 
SP - E como é seu trabalho no HGG?

EM - O HGG funciona há seis anos e estou lá há quatro, depois de passar em concurso público. Sou chefe da equipe de emergência do hospital. Posso afirmar que é um trabalho bastante desgastante, porque todo o tempo existe uma premência de ações para salvar vidas.

 
SP - O HGG tem um sistema diferenciado de atendimento nessa área. Como funciona?

EM - De fato, o sistema é diferenciado e os outros hospitais de Campos também começam a utilizá-lo. Usamos cores para classificar os níveis de emergência no atendimento. De modo que, o paciente, na chegada, faz o protocolo com os enfermeiros, que classificam o nível e encaminham para o médico.

 
SP - Mas o que significam essas cores?

EM - Bem, se o paciente tem nível mais baixo de emergência, fica no seu prontuário com a cor amarela. Dependendo da avaliação do enfermeiro, pode ser indicado ao médico que seu estado está mediano na cor laranja, ou grave, na cor vermelha, cujo atendimento tem que ser o mais rápido possível, pois há risco de morte.

 
SP - Quais são as doenças mais comuns que aparecem no seu dia a dia do consultório?

EM - A hipertensão é a primeira delas. Há um grande número de pessoas com pressão alta, desde os mais velhos até os mais jovens. Tenho tido uma grande procura que até algum tempo atrás não existia, de jovens na faixa etária de 15, 16 anos com hipertensão.

 
SP - E qual a orientação que dá a essas pessoas?

EM - De modo geral, é a mesma para todos, ressalvando a questão da idade. Mas, certamente, a procura por uma vida mais saudável, com a prática de esportes aeróbicos, alimentação balanceada e rica nos nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo e ainda a abolição do uso de bebidas e drogas, prática das mais perniciosas ao organismo.

 
SP - Quer dizer que não importa a idade. A recomendação é sempre a mesma?

EM - Exatamente. Os jovens pensam que por ser jovens, estão fora do alcance dessas doenças que podem causar problemas cardíacos, como: a hipertensão arterial, a ansiedade e o estresse, os males deste século. Mas, não é bem assim. Hoje, não há apenas uma faixa de risco, todos nós devemos cuidar igualmente e com a mesma responsabilidade.

 
SP - Mas o que leva jovens e até crianças a terem essas doenças que sempre foram problemas de adultos e idosos?

EM - Como disse, o estilo de vida inadequado, o sedentarismo, o descuido em relação à alimentação, o uso excessivo de bebidas por pessoas cada vez mais jovens, tudo isso causa problemas de saúde que muitas vezes, se tornam graves.

 
SP - Nos últimos tempos, os pesquisadores registram o aumento de problemas cardíacos também em mulheres. O que pensa sobre isso?

EM - Essa é uma realidade. Atualmente, vimos mulheres tendo doenças cardíacas graves, e até morrendo de ataques cardíacos fulminantes, fato incomum há décadas atrás.

 
SP - Por que acha que esse quadro mudou?

EM – Basicamente, porque, nós, mulheres passamos a ter o mesmo ritmo de vida dos homens, isto é: trabalhar demais, não fazer exercícios físicos, limitar o lazer, ter vícios como a bebida e o cigarro. Enfim, entramos na era da competição com os homens e isso nos causou um forte estresse emocional que nos impacta também no corporal.

 
SP - E qual a indicação para pessoas com quadro de doenças cardíacas na família ou com mais de 40 anos?

EM - Recomendo nesses dois casos um acompanhamento mais constante. O primeiro caso deve ser observado devido à hereditariedade, um fator de risco considerável. No segundo, pela idade, também é necessário estar vigilante.

 
SP - Quais são os passos para isso?

EM - A cada seis meses ou pelo menos anualmente, a pessoa deve fazer um check-up cardíaco, assim como os exames de avaliação mais aprofundada da situação do coração, das artérias e vasos próximos. Essa busca costuma apontar a situação completa com relação à situação clínica do paciente.

 
SP - A hipertensão não é igual para todo mundo?

EM - A hipertensão é uma doença grave. Uma pessoa pode morrer se não cuidar dela como se deve. Não se pode achar que porque alguém tem hipertensão e você também tem, que o mesmo remédio e a mesma dosagem resolvem o problema. Essa é uma idéia simplista demais. É para definir essas questões a partir da avaliação cuidadosa do quadro geral do paciente e com exames nas mãos que existem os médicos.

 
SP - Qual seria a atividade física mais recomendada para hipertensos e cardíacos?

EM - Todas as atividades físicas são bem vindas. Porém, oriento sempre aos meus pacientes que façam caminhada, atividade considerada como a mais eficaz nesses casos, diminuindo a pressão e o colesterol e muitas vezes, fazendo com que o paciente se livre dos medicamentos.

 
SP - E por quê?

EM - É que a caminhada é o exercício mais completo para acionar o coração, assim como os vasos e artérias que ligam ao órgão. Então, o paciente deve se exercitar primeiramente andando devagar, realmente caminhando, mas, num ritmo regular, porque senão, não receberá beneficio algum da caminhada. Depois, aos poucos, vai aumentando o ritmo até que possa também fazer pequenas corridas. Normalmente, em seis meses, o paciente de pressão alta que se exercita diariamente com caminhadas, regulariza sua pressão, que se mantém adequada a sua idade e perfil clínico.

 
SP - Há um ditado que diz que o coração não dói. Isso é mito ou verdade?

EM - Isso é um grande engano. O coração dói sim. Ele envia sinais de que não está funcionando como se deve. O coração é um músculo que realiza sua atividade desde que nascemos até morrermos, sem parar, sem interrupções. Ele bombeia sangue e quando alguém tem um ataque cardíaco, é porque houve uma obstrução das coronárias que levam sangue até ele, e isso, faz com que pare de bater, levando a pessoa à morte.

 
SP - E essa dor? Por que acontece?

EM - Acontece nesse momento uma precordialgia unical, que pode ser fatal ou não. Essa dor torácica é irradiada para todo o peito e é quando, realmente, há o infarto.

 
SP - Todo mundo sente essa dor ao infartar?

EM - Na verdade, há apenas um grupo de pacientes que não sente essa dor, nesse caso, que é o diabético.

 
SP - Por quê?

EM - É que o diabético já tem seus vasos sanguíneos funcionando mal, já com a circulação comprometida e sempre à base de remédios para adequar isso. Então, ele não sente dor porque perdeu essa capacidade.

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