| Â Entrevista: Luciana Henrique Rangel Viana
Psicóloga
CRP 05 33578
Psicóloga, formada em 2005, pela Universidade Estácio de Sá, pós-graduada em psicologia clÃnica existencial humanista e ainda cursa a pós de MBA em gestão de recursos humanos pela UVA (Universidade Veiga de Almeida). Atualmente, atua em um consultório particular no centro de Campos e como psicóloga no (NACA) Núcleo de Atenção a Criança e ao Adolescente – Programa gerenciado pela FIA (Fundação para a Infância e Adolescência) e executado pela APIC (Associação de Proteção a Infância de Campos), e ainda executa um trabalho voluntário junto com uma equipe de psicólogos na Igreja Batista de Eldorado, igreja a qual congrega. Dentro de suas especializações, também exerce a profissão de arteterapeuta.
SP - Qual é a missão profissional de uma psicóloga?
LHV - Em qualquer âmbito de atuação, o papel da psicóloga é promover a saúde e a qualidade de vida do usuário de seus serviços. Penso que a principal diferença é que na clÃnica trabalhamos com questões mais individuais, com promoção de autonomia e de novas construções sociais. Acredito que a nossa maior missão é promover a saúde em todos os seus aspectos.
SP - O que esperar do mercado de trabalho para a profissão de psicólogo?
LHV - A psicologia, como muitas outras áreas de trabalho, tem o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, todo profissional precisa estar preparado para os desafios constante. Manter-se atualizado, também é essencial para um bom profissional. O conhecimento necessário ao exercÃcio de qualquer profissão proporciona ao trabalhador as condições de reflexão, compreensão e desenvolvimento da criatividade.
SP - Quais são seus planos para o seu futuro profissional?
LHV - Quero investir na área de recursos humanos, por ser uma área que está em desenvolvimento devido ao crescimento industrial na região, e é claro por ser uma área a qual gosto de atuar e me comprometer cada vez mais com meu trabalho.
SP - Existem vários ramos da psicologia que podem ser seguidos, nos fale um pouco deles:
LHV - Vou falar brevemente sobre algumas áreas:
Psicologia clÃnica – estuda o comportamento humano e as formas de ajustamento com o mundo e a realidade. Atua também no tratamento das psicopatologias e dos psicossomáticos (que são doenças/sintomas orgânicos com causas psicológicas).
Psicologia do esporte – estuda os fatores emocionais que afetam a performance dos atletas e os efeitos do esporte para o bem-estar psicológico dos indivÃduos. Ansiedade, concentração, motivação, desenvolvimento interpessoal e intrapessoal são algumas das questões trabalhadas pelo psicólogo esportivo.
Psicologia escolar – o psicólogo escolar age como um facilitador do processo ensino-aprendizagem, atuando junto à direção e coordenação da escola, professores, funcionários, estudantes e pais. Apesar de muitos ainda confundirem, a psicologia escolar não é psicologia clÃnica ou psicopedagogia dentro da escola. A atuação do psicólogo escolar é mais macro, e visa trabalhar a instituição como um todo, sempre dentro de uma perspectiva crÃtica.
Psicologia social – estuda a construção do homem como ser social e a influência dos atravessamentos ao longo de sua história.
Psicologia organizacional – o psicólogo organizacional atua como facilitador das relações entre pessoas e organizações, contribuindo para o desenvolvimento de ambas. Para tanto, intervém nos processos de trabalho, na cultura organizacional, nos intercâmbios comunicativos e muitos outros elementos da realidade institucional.
Psicologia da saúde e psicologia hospitalar – são dois campos distintos, mas bastante entrelaçados. Enquanto a psicologia da saúde busca uma visão mais macro da saúde (com questões relacionadas à saúde pública, epidemiologia e polÃtica), a psicologia hospitalar enfatiza a atuação do psicólogo dentro do hospital.
SP - Fale um pouco sobre transtornos mentais.
LHV - Transtornos mentais são alterações do funcionamento da mente que prejudicam o desempenho da pessoa na vida familiar, na vida social, na vida pessoal, no trabalho, nos estudos, na compreensão de si e dos outros, na possibilidade de autocrÃtica, na tolerância aos problemas e na possibilidade de ter prazer na vida em geral.
SP - Como saber se uma pessoa sofre de transtornos mentais?
LHV - Se ela relata sofrimentos insuportáveis. Se ela perde o controle de suas próprias emoções. Se ela perde a noção da realidade, identidade ou de si em relação ao tempo e espaço.
SP - Por que falamos de transtornos mentais e não de doenças mentais?
LHV - Em medicina, são consideradas doenças as alterações da saúde que tem uma causa determinada, com a ocorrência de alterações fÃsicas detectáveis. O termo transtornos, por outro lado, é reservado para designar agrupamentos de sinais e sintomas associados a alterações de funcionamento sem origem conhecida. Podemos então afirmar que os transtornos mentais não têm uma causa precisa, especÃfica, mas que são formados por fatores biológicos, psicológicos e sócio-culturais.
SP - Quais os transtornos mais comuns que você presencia na sua prática profissional?
LHV - Estresse; estado de mania; estado de ansiedade generalizada; fobia; sÃndrome do pânico; transtornos obsessivo-compulsivos e depressão.
SP - Como a famÃlia pode afetar a saúde mental de uma pessoa?
LHV - As primeiras experiências afetivas ocorrem dentro da famÃlia. Normalmente, a famÃlia molda as experiências iniciais da vida que vão determinar todo um padrão de comportamentos e formas de ver a vida quando adultos. Isso pode acontecer de forma boa ou ruim, depende das caracterÃsticas de cada pessoa. Por outro lado, uma pessoa pode nascer em um mundo cruel e violento, mas não desenvolve nenhum tipo de problema afetivo.
SP - É fácil diagnosticar, identificar os transtornos mentais?
LHV - Alguns transtornos mentais são bastante conhecidos do grande público através de publicações em jornais, revistas e televisão e são mais facilmente reconhecÃveis. Outros são mais difÃceis e menos conhecidos, requerendo experiência profissional para o seu diagnóstico.
SP - Como são os tratamentos para os transtornos mentais?
LHV - Os transtornos mentais são tratados, de uma maneira geral, como uma associação de meios psicológicos e medicamentos (psicofármacos). Algumas condições não requerem o uso de medicamentos e são tratados apenas por meios psicológicos. Caberá ao profissional que faz o diagnóstico ao ter o primeiro contato com o paciente, fazer a indicação de que recursos serão necessários para a recuperação da saúde mental do paciente.
SP - Quem são os mais atingidos com problemas mentais? E qual faixa de idade?
LHV – Eu, particularmente, já tive mais casos de mulheres deprimidas. Mas isso depende do profissional. A idade varia. Há uma procura muito grande para tratamento em crianças, mas ainda assim, em várias situações, dependem dos pais para serem tratados, e os pais, muitas vezes, não querem mais essa despesa, então, vão protelando.
SP - Onde as pessoas podem procurar ajuda para alguém que está manifestando algum tipo de transtorno mental?
LHV - As possibilidades são inúmeras. Obviamente, as pessoas que podem pagar pelo seu tratamento contarão com mais opções, pois terão acesso a um grande número de profissionais de saúde mental em seus consultórios particulares. Para as pessoas que não disponham de recursos financeiros poderão recorrer a Centros de Saúde Mental mantidos pelo Estado ou pelo MunicÃpio, e também em clÃnicas de atendimento psicológico mantidas por Universidades. O importante é começar a procurar por algum ponto. Uma pessoa que queira tratar-se não deixará de fazê-lo por problemas financeiros. A comunidade dispõe de recursos acessÃveis a todos.
SP - O que deve ser feito para manter uma saúde mental saudável, mesmo em uma situação diariamente estressante?
LHV - É o que as pessoas mais gostariam de saber. Não existe regra, mas qualquer coisa que traga mais prazer do que angústia ou sofrimento. Também existem formas de aprender a mudar pensamentos. Se não podemos mudar o mundo, podemos pelo menos, mudar a forma de pensar sobre ele. |