A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, que envolve importantes aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais, e é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para novas situações.
Pesquisadores ao fazer uma análise do desenvolvimento orgânico e emocional da criança nos primeiros anos de vida verificaram que desde o nascimento, ela apresenta potencial para desenvolver-se, mas, que este desenvolvimento não depende somente da maturação dos processos orgânicos, mas também, do intercâmbio com os outros, o que é da maior importância na primeira infância. Este intercâmbio tem influência determinante na orientação do temperamento e da personalidade e é através destas relações com as outras pessoas que o “ser” se descobre e que a personalidade se constrói pouco a pouco.
Isto leva à conclusão, em termos simplistas, de que nascer inteligente não é suficiente, e que não existe uma única causa que explique eventuais problemas de aprendizagem.
Desencadeado a partir da motivação, o processo de aprendizagem se dá no interior do indivíduo, estando intimamente relacionado às relações que este indivíduo estabelece com o meio. Define-se, portanto, como um processo interativo bastante dinâmico, fortemente influenciado pelos estímulos que o indivíduo recebe e profundamente vinculado à aquisição de conhecimentos.
A temática da aprendizagem, compreendida como um processo global de crescimento individual ou grupal, e as implicações das noções de aprendizagem e desenvolvimento ainda constituem objeto de grande interesse para os estudiosos de diferentes setores sob diferentes aspectos. Especialmente, no âmbito pedagógico, isto é, na dimensão educacional-escolar do processo ensino-aprendizagem.
Nesse sentido, alguns pensadores têm buscado unir dois campos investigatórios até agora separados pela maioria dos teóricos: o da educação e o da aprendizagem.
Afirmam que tanto o desenvolvimento quanto a aprendizagem devem ser captados em sua interação mútua, e isso faz com que as situações educativas tornem-se típicas para tais considerações. Sob esta perspectiva, a educação, que durante longo tempo foi tratada e trabalhada com uma concepção unicamente baseada no ensino, ganha possibilidades de reequilíbrio, na medida em que enfatiza o desenvolvimento da aprendizagem. Essa nova situação é deveras promissora, pois as questões que mais têm preocupado os profissionais ligados à educação referem-se aos altos índices de reprovação e evasão escolar registrados na rede pública brasileira, além do grande número de crianças que têm sido encaminhadas para tratamento psicopedagógico devido a dificuldades de aprendizagem.
O processo de aprender é visto pelo aluno comumente como um ato passivo de responsabilidade do professor. Esta visão determina o não-engajamento do aprendiz no processo, dificultando e até mesmo, determinando o fracasso no desenvolvimento da aprendizagem. Para que haja uma aprendizagem mais eficiente, seria necessário, então, que o controle e a regulação do processo fossem atribuídos àquele que aprende. Neste caso, confiança nas próprias habilidades e capacidade de progressão seriam fundamentais ao desenvolvimento da metacognição.
Nesse sentido, a curiosidade é uma ferramenta imprescindível para o ato de aprender, pois é ela que acelera a busca, a pesquisa, e o movimento interno das crianças. Aquelas que não desenvolvem esse espírito apresentam, geralmente, uma aprendizagem mimética, de reprodução, tornando-se um indivíduo triste e sem desejo de aprender.
Sabemos que a primeira “lei” da educação seria aquela cuja premissa baseia-se na idéia de que só aprende quem quer aprender. A esse desejo de querer aprender, educadores e psicólogos chamam “motivação”, sendo que a maioria deles acha que algum tipo de motivação seja talvez o elemento mais importante para uma aprendizagem suficiente, como fator que impulsiona para uma situação na qual outros fatores do processo de aprendizagem podem começar a operar, e finalmente, combinar-se para levar a efeito a aprendizagem total.
Podemos dizer que o importante é saber educar o broto para aprender a aprender.
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