Dr. Sebastião José de Siqueira
Psiquiatra
CRM - 52 18732-3
Formado pela Escola de Medicina da SCM de Vitória/ES
ABUSO DE SUBSTÂNCIAS NA ADOLESCÊNCIA

O uso cada vez mais precoce de drogas tem sido naturalmente apontado como preditor do abuso de múltiplas drogas e problemas relacionados. Quanto mais cedo se dá a experimentação, maior será o risco de evolução no sentido da adição, pois a identidade e as competências da vida estão em desenvolvimento, não dispondo ainda os jovens, dos recursos psicológicos necessários para lidar com determinadas vivências.

Instalando-se cedo, a dependência pode levar a atrasos no desenvolvimento e prejuízos cognitivos. Os processos de maturação e de aquisição da capacidade de autocontrole e estima pessoal tendem a interromper-se, deixando o adolescente excessivamente vinculado aos fatores externos, em detrimento dos fatores internos, principalmente quando há baixa auto-estima. Tal fato parece deixar o jovem mais suscetível às influências do grupo, fazendo-o manter relacionamentos com base apenas no consumo de drogas, revelando dificuldades para manutenção de relacionamentos verdadeiramente afetivos como: namorar, formar laços autênticos de amizade e participar de grupos e atividades sociais; atitudes que estão relacionadas a um desenvolvimento favorável da capacidade de cooperação. Mais tarde, o desempenho dos papéis inerentes à vida adulta, como o de trabalhar, poderá ficar comprometido, assim como, a tarefa de educar os filhos, que também sofrerá prejuízos em seus componentes básicos, como a promoção da saúde, o fornecimento de cuidados e a transmissão de valores éticos e morais.

EXISTEM OS FATORES DE RISCO E OS FATORES DE PROTEÇÃO

Os fatores de risco para o desenvolvimento de problemas com drogas são aqueles que aumentam a possibilidade de ocorrências de comportamento, com potencial para afetar a saúde em seus componentes biológicos, psicológicos e sociais.

SÃO FATORES DE RISCO: uso de drogas pelos pais e amigos, desempenho escolar insatisfatório, relacionamento deficitário com os pais, baixa auto-estima, sintomas depressivos, ausência de normas e regras claras, tolerância do meio às infrações, necessidade de novas experiências e emoções, baixo senso de responsabilidade, pouca religiosidade, antecedentes de eventos estressantes, uso precoce de álcool.

Os fatores ditos de proteção, ao contrário dos de risco, diminuem a probabilidade da ocorrência de comportamentos para afetar a saúde como a drogadição.

SÃO FATORES DE PROTEÇÃO: forte vínculo com a família, experiência de supervisão dos pais (com regras de conduta e envolvimento dos pais na vida de seus filhos), sucesso no desenvolvimento escolar, fortes vinculações com instituições sociais, tais como família, escola e organização religiosa, adoção de normas convencionais sobre uso de drogas.

            Para que se possa fazer o diagnóstico, devemos considerar que a adolescência é a fase do desenvolvimento na qual começam boa parte dos transtornos psiquiátricos, inclusive aqueles por uso de substâncias psicoativas.

            Os diversos fatores envolvidos, particularmente, os da esfera psicológica, física, sócio-cultural, legal e aqueles relacionados aos desenvolvimentos dos jovens e seu desempenho escolar, têm sido devidamente valorizados na avaliação e na terapêutica do adolescente. Esses transtornos devem se diferenciar dos demais, em psiquiatria e saúde mental, por duas razões: uma, pelo fato da existência e a prevalência desses acometimentos exigirem um agente externo à droga, sofrendo a influência de sua disponibilidade no meio e de seu potencial farmacológico; outra, pela participação ativa da pessoa do usuário na geração do problema.

            Conforme o DSM-IV, o diagnóstico de transtorno por uso de substância psicoativa, seja dependência ou abuso, implica um padrão de uso mal-adaptativo da substância, levando a disfunções e prejuízos caracterizados por meio de critérios que são definidos separadamente para cada um desses diagnósticos, de acordo com o(s) tipo(s) de droga(s).

            Com a finalidade diagnóstica, mesmo a simples distinção entre abuso e dependência, já se mostra importante para o planejamento e o desenvolvimento de intervenções terapêuticas apropriadas.

            Adolescentes costumam diferir dos adultos, tanto quanto ao tempo e à intensidade do uso de drogas, quanto em relação aos prejuízos causados pelo consumo, pois ainda não sofreram uma evolução tal, que levasse ao aparecimento de maiores danos.

            Uma anamnese cuidadosa e abrangente deve ser realizada não só em psiquiatria e medicina da adição, mas também, em especialidades correlatas, como na pediatria e em medicina do adolescente.

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